“Mas num teatro, diante duma performance, assim como num museu, numa escola ou numa rua, sempre há indivíduos a traçarem seu próprio caminho na floresta das coisas, dos atos e dos signos que estão diante deles ou os cercam. O poder comum ao espectadores não decorre de sua qualidade de membros de um corpo coletivo ou de alguma forma específica de interatividade. É o poder que cada um tem de traduzir à sua maneira o que percebe, de relacionar isso com a aventura intelectual singular que o torna semelhante a qualquer outro, à medida que essa aventura não se assemelha a nenhuma outra.” (Rancière, 2012, p.20).
terça-feira, 13 de novembro de 2012
O espectador emancipado
“Mas num teatro, diante duma performance, assim como num museu, numa escola ou numa rua, sempre há indivíduos a traçarem seu próprio caminho na floresta das coisas, dos atos e dos signos que estão diante deles ou os cercam. O poder comum ao espectadores não decorre de sua qualidade de membros de um corpo coletivo ou de alguma forma específica de interatividade. É o poder que cada um tem de traduzir à sua maneira o que percebe, de relacionar isso com a aventura intelectual singular que o torna semelhante a qualquer outro, à medida que essa aventura não se assemelha a nenhuma outra.” (Rancière, 2012, p.20).
quarta-feira, 11 de julho de 2012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Poderíamos definir dramaturgia atoral como um território de pesquisa e criação no qual a capacidade orgânica do ator deve se submeter à organização de um modelo situacional pré-estabelecido, em que entre seus limites seja Possível encontrar novos âmbitos de liberdade criativa. “Dançar com correntes”, sim, como disse Nietzsche, para transformar o obstáculo em estímulo. O destino do ser humano na realidade social não é muito diferente. Alimentamos a ilusãotranscorrer linearmente, arrastados pelo tempo em direção a um futuro imprevisível e incerto, entrelaçando circunstâncias mais ou menos flexíveis, com um princípio e um final, todas elas regidas por um princípio de causalidades. Mas, na realidade, existimos inscritos em sistemas auto-consistentes, repetindo situações e padrões de conduta que não percebemos como iguais ou análogos. A repetição se disfarça de diferença e o movimento cíclico se oculta atrás da aparente continuidade. Através dos exercícios da dramaturgia atoral, o intérprete explora esta dialética entre o determinismo e a aleatoriedade, entre a necessidade e o acaso, entre os sistemas que nos sustentam e limitam, e a liberdade que podemos e devemos conquistar, descobrir, inventar. Deste processo investigativo e criativo poderá surgir, quem sabe, uma estética teatral, uma poética dramática e cênica e (por que não?) uma ética que nos conduza a mostrar o sensível como inteligível, a substância turbulenta e enigmática da existência humana como algo que reclama, uma e outra vez, poder ser traduzida em formas comunicáveis e em experiências compartilhadas.José Sanches Sinisterra
sexta-feira, 1 de junho de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Para refletir com Grotowski:
"Os ensaios não são apenas a preparação para a estreia do espetáculo, são para o ator um terreno em que descobrir a si mesmo, as suas capacidades, as possibilidades de ultrapassar os seus próprios limites" (p.229)
"O ator deve antes procurar libertar-se da dependência com relação ao espectador, se não quiser perder a sua própria criatividade" (p.234)
Da Companhia Teatral a Arte como Veículo - texto de Jerzy Grotowski em: FLASZEN, Ludwik e POLLASTRELLI, Carla (org.). O Teatro Laboratório de Jerzy Grotowski 1959-19699. São Paulo: Fondazione Pontedera Teatro/Edições SESCSP/Perspectiva, 2007 [1989/1990]
terça-feira, 22 de maio de 2012
Para refletir sobre # 2: para todos:
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Para refletir sobre: para todos:
terça-feira, 8 de maio de 2012
Björk - Oceania
o reflexo da luz na aplicação de pedras no rosto dela.
as inserções de movimentos de luz.
o clarão de algumas imagens.
este branco rico em reflexo e glória.
os pequenos seres vivos.
as purpurinas.
ou aquilo que eu chamei de purpurina.
Vontade de dividir o email da Ro com vocês!
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Eu parei para pensar nisso aqui # 5
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Para Nat.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Para o Rafa e o Gunnar
domingo, 22 de abril de 2012
Eu parei para pensar nisso aqui #4
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Coreografia composição Gunnar/Fred
Sequência 1 -
(Fred sozinho - entra Gunnar)
A - Início/até abaixar.
B - Até o coice.
(Entra Rafa/ Nat)
C - Transições e abraços.
(Sai Gunnar em cima do Fred)
Sequência 2 -
(Texto Nat - "Avenca" até "Você tá acompanhando meu raciocínio?")
A - Até coice.
(Entra Gunnar e Fred)
B - Transições e rolamentos.
(Diálogo "Avenca" Fred/ Gunnar, até "compreende?")
C - Namorados.
( Texto deixa Nat/Gunnar - "é claro")
( Entra Lila, Bel, Caca, Aline)
D - Prainha. ( espasmos / quique de bunda 4x/ posições relaxamentos)
terça-feira, 17 de abril de 2012
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Também andei pensando umas coisas...
A Aline de costas cantando é um ruído muito interessante. Ela está "fora de quadro", mas completamente presente. Um extra-campo que eu só tinha presenciado antes no cinema. Talvez todas essas pessoas que aparecem no espetáculo também estejam fora de quadro. Acho que dialoga muito com o texto do Rafa. Presenças desgovernadas. "Você disse algo que não entendi, mas lembro".
Pessoas falam continuamente, mas não se ouvem. Talvez as interjeições tenham um grande papel no texto. "Olha, (antes do ônibus partir...)"; "Por favor, não me interrompa!" Os imperativos também. Os atores esboçam uma ligação que não se completa. "Alô?" "Alô?" "Você está ai?" “Você está me ouvindo?” A fala abafada, pela fita crepe ou pelo jornal, também me interessa. Talvez o vídeo possa funcionar como mais um elemento que tenta estabelecer "contato". Que reforça a tentativa de comunicação. Já a campainha interrompe. Gosto disso.
Penso muito em uma projeção reprimida, desenquadrada. Recortes de uma história de não-ditos, de paixões recalcadas, de relações falidas. Pessoas que vivem “fora de quadro”. Na grande cidade. Sob a luz neon. OPEN 24H
As relações parecem transitar em corda-bamba, tão frágil é o equilíbrio. A qualquer momento algo vai romper, se perder, não ser compreendido. "Compreende?"
Fiquei pensando sobre tempo. Temporalidade. Estar. Não estar. Presente. Quanto tempo é muito tempo? "O relógio da cozinhou parou...Tá parado há dois anos." Como a gente mede o tempo? “Um cigarro e vamos” “Só mais um café”
Fred diz: "Eu to sem..." E lista uma séria de faltas, fala sobre o que não se tem. Não é sobre insatisfação, é outra coisa. Ainda não descobri.
Nati começa um riso em semi-descontrole. Fora de hora. Remete a desespero, a deboche. De qualquer forma, o riso distancia do momento anterior: a conversa na mesa com o Gunnar. Acabou. Perdeu. Ela já não está mais ali.
Quando a Marília subiu fazendo a árvore, Aline começou a cantar "quero ficar no seu corpo feito tatuagem". Desejo de permanência. De dar conta do tempo, se apropriar dele. Que talvez também implique em se apropriar do outro. Do espaço do outro. Do que existe entre um corpo e outro. Esse meio.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Trechos de "A experiência do Fora" de Tatiana Salem Levy
terça-feira, 3 de abril de 2012





