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terça-feira, 13 de novembro de 2012

O espectador emancipado


“O espectador também age, tal como o aluno ou o intelecutual. Ele observa, seleciona, compara e interpreta. Relaciona o que vê com muitas outras coisas que viu em outras cenas, em outros tipos de lugares. Compõe seu próprio poema com os elementos do poema que tem diante de si. Participa da performance refazendo-a à sua maneira, furtando-se, por exemplo, à energia vital que esta supostamente deve transmitir para transformá-la em pura imagem e associar essa pura imagem a uma história que leu ou sonhou, viveu ou inventou. Assim, são ao mesmo tempo espectadores distantes e intérpretes ativos do espetáculo que lhes é proposto.” (Rancière, 2012, p.17).

“Na lógica da emancipação há sempre entre o mestre ignorante e o aprendiz emancipado uma terceira coisa - um livro ou qualquer outro escrito - estranha a ambos e à qual eles podem recorrer para comprovar juntos o que o aluno viu, o que disse e o que pensa a respeito. O mesmo ocorre com a performance. Ela não é a transmissão do saber ou do sopro do artista ao espectador. É essa terceira coisa de que nenhum deles é proprietário, cujo sentido nenhum deles possui, que se mantém entre eles, afastando qualquer transmissão fiel, qualquer identidade entre causa e efeito.” (Rancière, 2012, p.19).

“Mas num teatro, diante duma performance, assim como num museu, numa escola ou numa rua, sempre há indivíduos a traçarem seu próprio caminho na floresta das coisas, dos atos e dos signos que estão diante deles ou os cercam. O poder comum ao espectadores não decorre de sua qualidade de membros de um corpo coletivo ou de alguma forma específica de interatividade. É o poder que cada um tem de traduzir à sua maneira o que percebe, de relacionar isso com a aventura intelectual singular que o torna semelhante a qualquer outro, à medida que essa aventura não se assemelha a nenhuma outra.” (Rancière, 2012, p.20).



“Os artistas, assim como os pesquisadores, constroem a cena em que a manifestação e o efeito de suas competências são expostos, tornados incertos nos termos do idioma novo que traduz uma nova aventura intelectual. O efeito do idioma não pode ser antecipado. Ele exige espectadores que desempenhem o papel de intérpretes ativos, que elaborem sua própria tradução para apropriar-se da “história” e fazer dela sua própria história. Uma comunidade emancipada é uma comunidade de narradores e tradutores.” (Rancière, 2012, p.25).

quinta-feira, 1 de março de 2012

As relações de poder

- que o poder não é algo que se adquira, arrebate ou compartilhe, algo que se guarde ou deixe escapar; o poder se exerce a partir de inúmeros pontos e em meio a relações desiguais e móveis;

- que as relações de poder não se encontram em posição de exterioridade com respeito a outros tipos de relações (processos econômicos, relações de conhecimentos, relações sexuais), mas lhes são imanentes; são os efeitos imediatos das partilhas, desigualdades e desequilíbrios que se produzem nas mesmas e, reciprocamente, são as condições internas destas diferenciações; as relações de poder não estão em posição de superestrutura, com um simples papel de proibição ou de recondução; possuem, lá onde atuam, um papel diretamente produtor;

- que o poder vem de baixo; isto é, não há, no princípio das relações de poder, e como matriz geral, uma oposição binária e global entre os dominadores e os dominados, dualidade que repercuta de alto a baixo e sobre grupos cada vez mais restritos até as profundezas do corpo social. Deve-se, ao contrário, supor que as correlações de força múltiplas que se formam e atuam nos aparelhos de produção, nas famílias, nos grupos restritos e instituições, servem de suporte a amplos efeitos de clivagem que atravessam o conjunto do corpo social. Estes formam, então, uma linha de força geral que atravessa os afrontamentos locais e os liga entre si; evidentemente, em troca, procedem as redistribuições, alinhamentos, homogeneizações, arranjos de série, convergências desses afrontamentos locais. As grandes dominações são efeitos hegemônicos continuamente sustentados pela intensidade de todos estes afrontamentos;

- que as relações de poder são, ao mesmo tempo, intencionais e não subjetivas. Se, de fato, são inteligíveis, não é porque sejam efeito, em termos de causalidade, de uma outra instância que as explique, mas porque atravessadas de fora a fora por um cálculo: não há poder que se exerça sem uma série de miras e objetivos. Mas isso não quer dizer que resulte da escolha ou da decisão de um sujeito, individualmente; não busquemos a equipe que preside sua racionalidade; nem a casta que governa, nem os grupos que controlam os aparelhos do Estado, nem aqueles que tomam as decisões econômicas mais importantes, gerem o conjunto da rede de poderes que funciona em uma sociedade (e a faz funcionar); a racionalidade do poder é a das táticas muitas vezes bem explícitas no nível limitado em que se inscrevem -- cinismo local do poder -- que, encadeando-se entre si, invocando-se e se propagando, encontrando em outra parte apoio e condição, esboçam finalmente dispositivos de conjunto: lá, a lógica ainda é perfeitamente clara, as miras decifráveis e, contudo, acontece não haver mais ninguém para tê-las concebido e poucos para formulá-las: caráter implícito das grandes estratégias anônimas, quase mudas, que coordenam táticas loquazes, cujos "inventores" ou responsáveis quase nunca são hipócritas;

- que lá onde há poder há resistência e, no entanto (ou melhor, por isso mesmo), esta nunca se encontra em posição de exterioridade em relação ao poder. Deve-se afirmar que estamos necessariamente "no" poder, que dele não se "escapa", que não existe, relativamente a ele, exterior absoluto, por estarmos inelutavelmente submetidos à lei? Ou que, sendo a história ardil da razão, o poder seria o ardil da história -- aquele que sempre ganha? Isso equivaleria a desconhecer o caráter estritamente relacional das correlações de poder. Elas não podem existir senão em função de uma multiplicidade de pontos de resistência que representam, nas relações de poder, o papel do adversário, de alvo, de apoio, de saliência que permite a preensão. Esses pontos de resistência eståo presentes em toda a rede de poder. Mas isso não quer dizer que sejam apenas subproduto das mesmas, sua marca em negativo, formando, por oposição à dominação essencial, um reverso inteiramente passivo, fadado à infinita derrota. As resistências não se reduzem a uns poucos princípios heterogêneos; mas não é por isso que sejam ilusão, ou promessa necessariamente desrespeitada. Elas são o outro termo nas relações de poder; inscrevem-se nestas relações como o interlocutor irredutível. Também são, portanto, distribuídas de modo irregular: os pontos, os nós, os focos de resistência disseminam-se com mais ou menos densidade no tempo e no espaço, às vezes provocando o levante de grupos ou indivíduos de maneira definitiva, inflamando certos pontos do corpo, certos momentos da vida, certos tipos de comportamento. Grandes rupturas radicais, divisões binárias e maciças? Às vezes. É mais comum, entretanto, serem pontos de resistência móveis e transitórios, que introduzem na sociedade clivagens que se deslocam, rompem unidades e suscitam reagrupamentos, percorrem os próprios indivíduos, recortando-os e os remodelando, traçando neles, em seus corpos e almas, regiões irredutíveis. Da mesma forma que a rede das relações de poder acaba formando um tecido espesso que atravessa os aparelhos e as instituições, sem se localizar exatamente neles, também a pulverização dos pontos de resistência atravessa as estratificações sociais e as unidades individuais. E é certamente a codificação estratégica desses pontos de resistência que torna possível uma revolução, um pouco à maneira do estado que repousa sobre a integração institucional das relações de poder.

(Michel Foucault)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Outro diálogo

Wallace: Nascido há 43 anos em Madagascar de pai médico militar e mãe sem profissão ambos falecidos casado uma filha último emprego diretor de vendas nos Estabelecimentos Bergognan o senhor não tem títulos universitários

Fage: Não senhor nada de canudos todos os meus títulos foram conquistados na vida Meus títulos são o lucro da empresa multiplicados por dois a cada três anos durante dez anos é uma receita multiplicada por 15 enquanto meus concorrentes estagnavam É a organização que deixo atrás de mim sólida pronta para enfrentar qualquer coisa é o ambiente que eu criei Um ambiente estimulante um ambiente fraternal que faz com que para cada um dos meus homens os interesses da empresa venham antes de qualquer coisa quando eu dizia vamos então íamos quando eu dizia é assim então era assim

Wallace: Quanto ganhava?

Fage: Com todas as comissões chegava a 91.000 bruto por ano

Wallace: E o senhor está pedindo

Fage: Para mim o salário não é o fator mais importante o que procuro antes de mais nada

Wallace: Apesar de tudo as pessoas na sua idade não se demitem sem mais nem menos sem garantir a retaguarda

Fage: De tanto fazer o que é razoável perde-se a dignidade

Wallace: Então explique

Fage: Ah uma história banal venda da empresa porque funcionava bem demais americanos que não entendem nada teria sido necessário que eu aceitasse continuar a trabalhar nessa firma onde tudo o que construí estava sendo desmontado

Wallace: Sua demissão teve de alguma forma para o senhor o valor de uma mensagem

Fage: Por que a gente trabalha? Para ganhar a vida? Mas que vida? Eu sei que a gente precisa ter uma ocupação eu vou me ocupar agora olhando este grão de poeira

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Você se casaria por dinheiro ?

“Se tiver carinho, acaba transformando o amor. Eu sei porque eu fico com uma pessoa que eu não sentia absolutamente nada por ele no começo. E ele é uma pessoa tão legal mas tão legal comigo que hoje não sei o que eu sinto ainda por ele mas eu me sinto muito bem.

Ele me ajuda.
Inclusive, ele vai até viajar e eu vou sentir muita muita muita falta dele. Não sei assim, porque ele é uma pessoa muito atenciosa, muito legal comigo, uma pessoa assim, que eu acho que não existe mais hoje. Hoje eu gosto muito dele, não sei o sentimento mas eu gosto demais. Eu nunca vou encontrar uma pessoa igual a ele, nunca. Às vezes eu acordo, e ele tá me cobrindo na cama aí eu falo: ‘Nossa, onde eu vou encontrar um homem desse ? Nunca que eu vou encontrar!’.

Eu senti preconceito. Eu senti, principalmente, porque ele não é uma pessoa ‘Nossa, que homem bonito, entende?’. Ele é mais velho e não é uma pessoa tão bonita. Prá te falar a verdade, eu passei assim um tempo sem ir assim prá rua, prá não demonstrar que eu tava com ele. Como eu só me interessava por pessoas mais jovens, eu achei que as pessoas iam achar muito estranho eu tá com uma pessoa com mais de 50 anos de idade. Aí todo mundo perguntava: ‘Ah, é teu namorado ?’ e eu: ‘Não, amigo !’. Agora eu assumo. Eu falo que é meu namorado, que a gente mora junto.. Eu não sei porque mas as pessoas olham. As pessoas olham demais. As minhas amigas ficam assim: olhando, sabe ? Mas eu não ligo não. O importante é o que ele sente por mim e eu por ele.”


Lindalva.

além de sangue, mijo.

tô viajando aqui nas várias formas de dominação. esta imagem de um corpo morto de guerra estirado no chão e soldados americanos mijando me chamou muita atenção.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Metal Redondo e Papel Forte

Trecho da peça "Xambudo (outro lugar nenhum)" de Aderbal Freire Filho.

A/ Meus amantes. Esta noite dormirei com aquele que decifrar o enigma da globalização. O homem que deixou de construir sua casa, sua roupa, deixou de fazer sua comida, e que se isolou na pequena coisa que sabe fazer ou quer fazer ou pode fazer, agora cria um sistema para juntar todos a seu serviço. E diz que esse é o único sistema. Quer que todos acreditem nele e não admite que ninguém negue essa verdade de merda. Quando Copérnico disse que a terra girava em volta do sol e não o sol em volta da terra, Calvino gritou irritado: quem se atreve a colocar a palavra de Copérnico sobre a autoridade do Espírito Santo? E a autoridade do Espírito Santo não era nada. Muito menos a do novo deus desse sistema que quer ser definitivo. Que deus é esse? Um ou outro economista de merda, perdido e confuso nas suas contas de chegar. Olhe para os pés dele. Você não vai ver os pés dele. Eu não confio em homem que esconde os pés. E eles, os economistas, escondem os pés sob camadas de peles finas e moles, depois umas peles grossas e duras em forma de canoas, que eles usam desde o nascer até o por do sol. Meus queridos amantes. Vou ler para vocês mais um capítulo do nosso evangelho do Grande Irmão Tuiavii de Tiavéa.
O Sermão dos Mares do Sul sobre o homem branco, chamado Papalagui; capítulo segundo, versículo primeiro. Do metal redondo e do papel forte.A verdadeira divindade do homem branco é o metal redondo e o papel forte que ele chama dinheiro. O dinheiro é o objeto do seu amor, o dinheiro é a sua divindade. Muitos homens brancos há cujas mãos se tornam aduncas e semelhantes às patas da grande formiga dos bosques, à força de manejarem a todo instante o metal e o papel. Muitos há que pelo dinheiro sacrificaram o riso, a honra, a consciência, a felicidade e até mesmo mulher e filhos. O dinheiro é de fato o Deus do papalagui, se a gente considerar Deus aquilo que mais se adora. Quem não tem dinheiro nenhum não pode matar a fome nem mitigar a sede, não encontrará esteira para a noite e será lançado no “fale pui pui” e se falará dele em muitos papéis. Por tudo tens que pagar. Até para nasceres tens que pagar e quando morreres a tua aiga tem que pagar pela tua morte, para poder depositar o teu corpo na terra e pela grande pedra que te põem sobre a tumba, em sinal de recordação. Atira uma peça de metal redondo na areia e verás as crianças precipitarem-se para apanhá-la. De onde vem o dinheiro? Basta que faças uma ação que eles chamam trabalho. “Trabalha e terás dinheiro”, diz uma lei moral dos papalaguis. Mas há uma grande injustiça e o papalagui não quer pensar nisso, pois nesse caso seria forçado a reconhecê-la. Nem todos aqueles que têm muito dinheiro trabalham muito. A coisa é assim: quando um branco tem dinheiro suficiente para a sua comida, para a sua cabana, para a sua esteira e algo mais ainda, manda logo o seu irmão trabalhar para ele, graças ao dinheiro que tem a mais. E quem tem muito dinheiro nada mais tem a fazer do que se deitar na esteira, beber “kava”, queimar seus rolos de fumo, e arrecadar o metal e o papel que outros, com seu trabalho, ganharam para ele. Dizem então os homens: é rico. Invejam-no, adulam-no e falam-lhe com palavras bonitas e escolhidas. Porque, no mundo dos brancos, a importância de um homem não é determinada nem pela sua bravura, nem pela sua coragem, nem pelo fulgor do seu espírito, mas sim pela quantidade de dinheiro que possui ou que é capaz de ganhar por dia. Amontoam o dinheiro que os outros ganharam para eles, o depositam num lugar be guardado e para aí vão carreando sempre mais, até que um dia já não precisam mandar os outros trabalhar para eles, trabalhando o próprio dinheiro no seu lugar. Nunca consegui perceber como isso era possível, sem haver magia negra; e, no entanto tudo se passa assim: o dinheiro multiplica-se como as folhas de uma árvore e o homem até quando dorme vai enriquecendo. E é por isso que eu não percebo por que é que aqueles que não têm muito metal redondo nem muito papel forte tanto se envergonham disso e tanto invejam o homem rico, em lugar de se considerarem, isso sim, dignos de inveja. De fato, assim como é de mau gosto um homem atravancar o peito com muitos colares de conchas, igualmente o será com o pesado fardo do dinheiro. Dificulta-lhes a liberdade de movimentos de que os seus membros necessitam. Palavras do profeta. Queridos amantes, a simplicidade do olhar do profeta esconde muita profundidade. Não é mais possível recuperar o paraíso longe do mundo do papalagui. Todos nós somos papalagui, todos somos homens brancos. Os negros, os amarelos, os mulatos, todos somos homens brancos. Mas se o evangelho Cristão Pornográfico não percebe como o papalagui faz o dinheiro trabalhar por ele sem magia negra, também nós não percebemos como os países ricos fazem os países pobres acreditarem que podem equiparar-se a eles segundo as leis do mercado global sem magia negra. A magia negra, queridos amantes, é a única explicação. Os mega-empresários, as bolsas de valores, o mercado futuro, os meios de comunicação utilizam-se da magia negra para dominar o mundo. É este o segredo da nova ordem mundial: a magia negra, a magia negra (entra em transe).

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Dubai World Cup e os Thoroughbred



A Dubai World Cup é uma corrida de cavalos Thoroughbred (ou PSI - Puro Sangue Inglês), que acontece anualmente desde 1996, e que há 2 anos acontece no Meydan Racecourse na cidade de Duabi, nos Emirados Árabes. A corrida é operada através da Emirates Horse Racing Authority (EHRA), cujo presidente é o Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan, ministro dos Assuntos Presidenciais dos Emirados Árabes Unidos. A corrida foi criada pelo monarca soberano de Dubai, o Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum, dono da Darley Stud & Godolphin Racing <http://www.darley.co.uk/>, uma das líderes mundiais em criação de cavalos Thoroughbred e na operação de corridas de cavalo.

A corrida possui um total de prêmios no valor de US$ 10 milhões desde 2010, tornando-a a corrida de cavalos mais rica do mundo. É uma corrida sem obstáculos do tipo Grupo 1, realizada em superfície sintética para cavalos Thoroughbred criados no hemisfério norte, com pelo menos quatro anos de idade, e para cavalos Thoroughbred criados no hemisfério sul, com pelo menos três anos de idade. A distância percorrida pelos cavalos é de dois quilômetros.

O primeiro vencedor da corrida foi o Thoroughbred e futuro membro do Hall da Fama Cigar, propriedade de Allen E. Paulson. Uma placa em sua honra foi pendurada nos estábulos de Bill Mott, em Belmont Park.

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Cavalos Thoroughbred ou PSI

O Thoroughbred ou Puro-Sangue Inglês é uma raça de cavalos conhecida por seu uso em corridas. Apesar de a palavra Throughbred ser às vezes utilizada para se referir a qualquer raça de cavalo puro-sangue, tecnicamente ela se refere somente à raça Thoroughbred. Thoroughbreds são cavalos considerados "de sangue quente", conhecidos por sua agilidade, velocidade e espírito.

O Thoroughbred como o conhecemos foi desenvolvido nos séculos XVII e XVIII na Inglaterra, quando éguas nativas foram cruzadas com três garanhões importados do oriente, das raças árabe, bérbere e turcomana. Todos os Thoroughbred modernos são originados destes três garanhões, e de uma quantidade maior de éguas de raça inglesa.

Os cavalos desta raça são usados principalmente para corridas, mas também são treinados para outras disciplinas de montaria como salto, treinamento combinado, polo e caça a raposas. Eles também são comumente combinados para criar novas raças ou para melhorar raças já existentes, e possuem bastante influência na criação do Quarter Horse, Standardbred, Anglo-Árabe, e outras diversas raças de sangue morno.

Os Thoroughbreds de corrida trabalham em sua máxima capacidade, o que resultou em altos índices de acidentes e problemas de saúde, como sangramento dos pulmões, baixa fertilidade, corações pequenos demais e cascos pequenos demais para suas patas e o tamanho de seu corpo. Existem diversas teorias acerca das razões por trás dos acidentes e dos problemas de saúde da raça Thoroughbred, e a pesquisa continua.

(...) Os de boa qualidade possuem uma cabeça bem cinzelada em um longo pescoço, cernelha alta, peito fundo, costas curtas, boa profundidade nos quartos traseiros, corpo esguio e longas pernas. (...) A altura varia entre 1,57m e 1,73m, e as cores mais comuns são castanho escuro, castanho claro, preto e cinza. Os brancos são muito raros. (...) Os Thoroughbreds que possuem mais de uma cor, como os Pinto e Appaloosa, não são considerados pertencentes à raça por muitos centros de registro de cavalos. (...) Os nascidos no hemisfério norte são oficialmente considerados um ano mais velhos no primeiro dia de janeiro de cada ano; os do hemisfério sul são considerados oficialmente um ano mais velhos no primeiro dia de agosto de cada ano. Essas datas artificiais foram estabelecidas para propiciar um padrão para a inscrição em corridas para grupos de cavalos de determinadas idades.

(...) Ao contrário do que acontece com um significativo número de raças registradas hoje em dia, um cavalo não pode ser registrado como um Thoroughbred (sob o registro do Jockey Club) caso não seja concebido de maneira natural: o acasalamento testemunhado de uma égua com um cavalo. Inseminação artificial e transferência de embriões, apesar de comumente utilizadas e autorizadas em muitos outros registros de raças de cavalos, não podem ser utilizadas em Thoroughbreds.

(...) Uma razão é que há grande possibilidade de erro em criar uma raça pura através da inseminação artificial, e apesar de testes de sangue e DNA eliminarem grande parte dessas preocupações, a inseminação artificial requer uma manutenção de registros mais detalhada. A razão principal, contudo, pode ser econômica. Um garanhão tem um número limitado de éguas com as quais ele pode realizar o acasalamento. Assim, a prática previne uma oferta excessiva de Thoroughbreds no mercado. (...) Ao fazer com que um cavalo acasale com somente duzentas éguas por ano ao invés de duas mil (como seria possível com a inseminação artificial), a prática também preserva os altos preços pagos pelos cavalos das linhagens mais nobres ou populares. (...) Um cavalo desta raça custa em média US$ 107 mil. (...) Mas as médias podem enganar. O Thoroughbred mais caro foi o Green Monkey, vendido em 2006 por US$ 16 milhões. Ele nunca venceu uma corrida e foi aposentado em 2008. Em fim de carreira, mesmo o mais bem-sucedido dos Thoroughbreds pode ser vendido pelo quilo, por algumas centenas de dólares, para virar carne enlatada de cavalo.

Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Thoroughbred

domingo, 29 de janeiro de 2012

Quebrou.




A norte-americana Kodak, gigante e pioneira mundial da fotografia de massas há mais de 100 anos, anunciou nesta quinta-feira que declarou falência junto de um tribunal de Nova Iorque para se poder reestruturar.

A sofrer com a mudança maciça dos consumidores para a fotografia digital, a empresa diz que este pedido de falência, que lhe dará protecção face aos credores, visa a obtenção de liquidez nos EUA e no estrangeiro para rentabilizar a propriedade intelectual não estratégica, resolver o passivo e, assim, permitir à empresa que se concentre nas linhas de negócio mais valiosas. (ou seja, declarar falência não significa parar com as atividades. Não é necessariamente o fim mas é, sim, um meio de manter a sobrevida).

O pedido de falência não abrange as subsidiárias fora dos EUA, que vão continuar a honrar todas as obrigações, segundo se lê no comunicado que a empresa publicou no site. A empresa espera pagar salários nos EUA e manter os serviços aos consumidores.

A Kodak tem estado com dificuldades financeiras crescentes, foi ameaçada de expulsão da Bolsa de Nova Iorque devido à brutal queda do valor das acções e obteve agora uma linha de crédito de 950 milhões de dólares, a ano e meio, do Citigroup.

“A Kodak está a dar um passo significativo para completar a sua transformação”, disse o presidente executivo, Antonio M. Perez, citado no mesmo comunicado.

O mesmo responsável realçou que o Capítulo 11 da Lei de Falências dos EUA, a que a empresa recorreu, lhe dá “as melhores oportunidades para maximizar valor em duas partes críticas” da sua tecnologia: “as patentes de captura digital, que são essenciais para uma vasta gama de aparelhos móveis e outros aparelhos de electrónica de consumo”, e as tecnologias de impressão e armazenamento de imagem, “que dão à Kodak uma vantagem competitiva” no crescente negócio digital.

Mas a empresa tem sido criticada justamente por, há cerca de uma década, não ter iniciado com o vigor necessário a transição para o digital.

“São uma empresa presa no tempo”, disse um professor da Universidade Reyrson de Toronto, Robert Burley, citado pela Bloomberg. “A sua história era tão importante para eles, esta rica história centenária em que fizeram muitas coisas espantosas e muito dinheiro pelo caminho. Agora a sua história tornou-se um passivo”, acrescentou. (a necessidade de se atualizar a cada segundo para se manter sempre na vanguarda do próprio tempo, estar sempre a frente dos outros, como numa corrida de cavalos).

A Kodak, símbolo do capitalismo norte-americano, foi criada por George Eastman, que inventou o filme fotográfico, e chegou a Portugal em 1919. O primeiro produto da Kodak no país foi a câmara Brownie, lançada em todo o mundo, a um dólar, em 1900.


fonte: http://economia.publico.pt/Noticia/kodak-accionou-pedido-de-falencia-e-quer-reorganizar-a-actividade-1529737

Colapso, um documentário de terror



Michael Ruppert, um repórter investigativo americano que previu com anos de antecedência a crise econômica mundial de 2009, relata, em 90 minutos, como o mundo vai ruir nas próximas décadas.

PS: Susana, me interessam essas imagens antigas de mercado financeiro.

99% - Histórias de falências


http://wearethe99percent.tumblr.com/

Tem muita coisa diferente nessa maneira de protestar. É como a Jana me convenceu: a gente não deveria ter que propôr uma solução para um sistema que não tem conserto.

OBEY, de Shepard Fairey







Shepard Fairey é um dos principais artistas gráficos de rua em atividade. Seu trabalho parte de uma premissa básica: "questione tudo". Ironicamente, o conjunto de sua obra é chamado de OBEY ("obedeça"), e muitas vezes o rosto de um ditador, referência ao Big Brother de "1984", vem acompanhado dessa palavra. As peças retratam a ganância corporativista, a falência do capitalismo e o poder obsoleto dos governos. As cores da propaganda totalitarista (vermelho, creme e preto) dominam a imagem (vide anúncios do regime soviético do início do século XX e as artes de filmes como "1984", "Brazil" e "V de Vingança"). Ele ficou famoso com os pôsteres da campanha de eleição do Obama em 2008 (notoriamente HOPE e CHANGE), mas em 2011 se juntou ao movimento Occupy Wall Street, se autoparodiando em prol de uma nova mudança.

Mais sobre OBEY aqui: http://obeygiant.com/industries

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Cavalo de Balanço Vencedor

Um trecho e o resumo do conto O Cavalo de Balanço Vencedor, de D H Lawrence. Dá pra ler na íntegra aqui.



"Desta forma a casa veio a ser perseguida pela frase tácita: É necessário mais dinheiro! É necessário mais dinheiro! As crianças ouviam-na a todo o momento, muito embora ninguém a dissesse em voz alta. Ouviam-na pelo Natal, quando o seu quarto se encontrava cheio de brinquedos dispendiosos e esplêndidos. Por detrás do reluzente cavalo de baloiço moderno, por detrás da primorosa casa das bonecas, uma voz começava a murmurar: "É necessário mais dinheiro! É necessário mais dinheiro"! E as crianças paravam então de brincar, para escutarem por um momento. Fitavam os olhos umas nas outras para ver se todas tinham ouvido. E cada uma via nos olhos das outras duas que também elas tinham ouvido: É necessário mais dinheiro! É necessário mais dinheiro"!

RESUMO

"Retrata a obsessão de um rapaz com a sorte e como ele pode trazer dinheiro para sua família. Acostumada a luxo, os pais de Paul (nome do menino) vive acima das suas possibilidades, contraindo dívidas e colocar enorme pressão sobre eles para ganhar mais. A mãe dele é infeliz, acreditando que suas dificuldades financeiras devido ao fato de que ela se casou com um homem sem sorte. Seu desespero silencioso é transmitido a seus filhos, especialmente Paul, que fica resolvida a sorte de encontrar, por qualquer meio. Sua casa em si, parece absorver seus pensamentos, ampliando-as e atormentando Paulo e suas duas irmãs por sua "sussurrar" constante. Paul descobre que montando o seu cavalo de baloiço que pudesse "conhecer" o vencedor de uma corrida de cavalos. Ele confessa o seu segredo para Basset, o jardineiro, e mais tarde ao seu tio Oscar Cresswell, que está convencido de que as previsões do menino dos vencedores vir a passar. Paulo partes secretamente parte dos seus ganhos com sua mãe, fazendo parecer que alguém tinha presenteou-lhe com £ 5.000. Mas ao invés de parar, as vozes na casa em silêncio gritar por mais dinheiro. Para acalmá-los, Paul tenta conhecer os vencedores das próximas corridas, mas não conseguia, e ele fica desesperado dia a dia. Ele monta seu cavalo de baloiço em freneis até que uma noite sua mãe o encontra sozinho em seu quarto. Paulo entra em colapso e entra em coma, gritando o nome do vencedor do Derby, Malabar, que é uma grande desvantagem. Seu tio e fazer apostas Basset grande sobre o cavalo, que ganha de fato. Trazem Paulo a boa notícia: ele já ganhou alguns £ 80.000. O menino exulta de seu delírio, mas mais tarde naquela noite, ele morre. Dinheiro ou o desejo por ela, encontra-se no tema desta história. pais de Paul são amaldiçoados com a necessidade permanente de manter seu estilo de vida caro. Hester, mãe de Paulo, não está contente ao receber a carta informando-a do dom de £ 5.000 a serem pagos em prestações no prazo de cinco anos - ela quer todo o lote de uma só vez. Mas a "casa" em si não está satisfeito: ele se torna mais voraz do que nunca. O autor pode ter usado o elemento sobrenatural nesta história para adicionar à tensão, a emoção, para criar o clima de tensão que se acumula ao clímax assustador. Quase todo mundo sonha de ganhar uma fortuna. Tal sonho se torna uma obsessão quando se é confrontado com a falência, ou processos, ou ter que manter as aparências. O cavalo de balanço de madeira simboliza a inocência de uma criança e sua crença inabalável na magia e maravilhas. Paulo poderia, assim, ter fé em seu cavalo de baloiço, pedindo-lhe para realizar uma façanha que seria imprudente de pedir a uma pessoa real. O desejo insaciável de riqueza tem uma forte influência na forma como os homens vivem. Mais frequentemente, leva-los na estrada para a perdição. A Winner Rocking-Horse mostra como tal atitude poderia desencadear forças negativas em uma casa e desenvolver os misteriosos poderes de uma criança, preocupado com a "sussurrar" constante da casa, para encontrar o dinheiro por querer."

domingo, 22 de janeiro de 2012

Trechos do livro "A ciência de enriquecer".


Este é um livro pragmático e não filosófico; trata-se de um manual prático e não de um tratado teórico. Foi escrito a pensar nos homens e mulheres cuja necessidade mais premente é o dinheiro; que desejam primeiro enriquecer e depois filosofar.
Não há maneira mais eficaz de servir Deus e o Homem do que enriquecer.

É um dado assente que este livro apresenta de modo pormenorizado os princípios da ciência de enriquecer. E se isto é verdade, então o leitor não precisa de ler mais nada sobre o assunto.

Não leia obras de teor religioso que anunciem o fim do mundo para breve, nem leia escritos de arautos da desgraça e filósofos pessimistas, que afirmam que o mundo está a caminho do inferno.
Concentre toda a sua atenção na riqueza, ignore a pobreza.

Não fale acerca da pobreza; não a investigue, nem se interesse por ela. Não interessa quais são as suas causas; isso não lhe diz respeito.
Não há mesmo nada que o leitor possa fazer pelos pobres ao tomar conhecimento destas coisas; e o conhecimento generalizado destas circunstâncias não tende de modo algum a acabar com a pobreza.

Não sinta raiva de políticos corruptos; se não fossem os políticos, cairíamos na anarquia e a oportunidade do leitor seria imensamente diminuída.

Não gaste nem um instante a sonhar acordado ou a construir castelos no ar. Agarre-se à visualização daquilo que quer e aja AGORA.
O desejo natural de crescente abundância não é algo pecaminoso ou digno de repreensão; é simplesmente a ambição de uma vida de maior abundância; é aspiração.

Transmita a impressão de progresso a tudo o que faz, de modo que todas as pessoas fiquem com a impressão de que é um Indivíduo Progressista e de que faz avançar todos aqueles que negociam consigo. Mesmo às pessoas que conhece socialmente, sem qualquer ideia de negócio, e a quem não tenta vender seja o que for, deve transmitir a ideia de acréscimo.

Deve provocar nos outros a impressão de que, ao associarem-se a si, terão a sua quota-parte de acréscimo. Assegure-se de que lhes dá um valor utilitário superior ao valor que lhes está a pedir em dinheiro.
Sinta que está a enriquecer e a tornar os outros ricos ao fazê-lo, trazendo benefícios para todos.

Muitas pessoas zombarão da ideia de que existe uma ciência exata para enriquecer; socorrendo-se da impressão de que os recursos de riqueza são limitados, insistirão que as instituições sociais e governamentais têm primeiro de sofrer modificações para que uma quantidade razoável de pessoas consiga um salário minimamente decente.

Mas isso não é verdade.

É verdade que os governos atuais mantêm a população na pobreza, mas isto acontece porque esta não pensa nem procede da Maneira Certa. Se a população começar a avançar de acordo com o método sugerido neste livro, não haverá governos nem sistemas industriais que possam impedir.
Se o povo tiver uma Mente Avançada, se tiver a Fé de que pode enriquecer e se avançar com a firme determinação de se tornar rico, não há nada que o possa manter na pobreza.

Quando o leitor tem um fracasso, isso acontece porque não pediu o suficiente; continue e algo melhor do que aquilo que procurava surgirá certamente.
O leitor não fracassará por lhe faltar o talento necessário para fazer o que deseja. Se prosseguir da forma que indiquei, desenvolverá todo o talento necessário para realizar o seu trabalho.

Não faz parte do âmbito deste livro abordar a ciência de cultivar talento, embora esta seja tão exata e tão simples como o processo de enriquecer.
Estude este livro. Faça dele o seu constante companheiro até ter dominado todas as ideias que ele contém. Durante o período em que se estiver a imbuir firmemente desta fé, convém  renunciar à maioria das atividades e dos prazeres recreativos, assim como evitar lugares onde ideias contrárias a estas são desenvolvidas em palestras ou sermões. Não se dedique a leituras pessimistas ou que manifestem visões contrárias, nem se envolva em discussões sobre o assunto. Leia muito pouco, à exceção dos autores mencionados na <<Introdução>>.  Passe a maior parte do seu tempo de lazer concentrado na sua imagem, cultivando a gratidão e lendo este livro, que contém tudo o que precisa saber acerca da ciência de enriquecer.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012