segunda-feira, 30 de abril de 2012
A nossa canção, por André Lemos
Sobre Cavalos e Baias
Vê... cavalgo na idéia absurda
De ser pra sempre sua e fico muda
Muda, muda, mudar por você
Perceba o vazio em um abraço
Um laço frouxo e desencantado
Perdido na loucura de ser sua,
Sempre nua, quase lua
Na tortura que flutua
O abismo em uma fissura...
O claro não se vê
Visto a minha cor em tom flagelo
Feito coice tal martelo
O cavalo em meu ego
Me persegue por prazer
Altivo e duro em sua marcha sem prazer
Passivo e nulo em sua baia sem lazer 2x
Crê, que toda confissão é um lamento
Você me disse algo que não entendo
Mas lembro, lembro, lembro, lembro...
Vê carrego então em mim a sua aposta
Um grito de suborno sem resposta
Sentindo o amor ser sempre
Duro, quase sujo, o escuro
A esperança é um sussurro
Um abrigo inseguro...
É a luz que não se vê
Visto a minha cor em tom flagelo
Feito coice tal martelo
O cavalo em meu ego
Me persegue por prazer
Altivo e duro em sua marcha sem prazer
Passivo e nulo em sua baia sem lazer 2x
Solo
Crê, que toda confissão é um lamento
Você me disse algo que não entendo
Mas lembro, lembro, lembro, lembro...
terça-feira, 24 de abril de 2012
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Também andei pensando umas coisas...
A Aline de costas cantando é um ruído muito interessante. Ela está "fora de quadro", mas completamente presente. Um extra-campo que eu só tinha presenciado antes no cinema. Talvez todas essas pessoas que aparecem no espetáculo também estejam fora de quadro. Acho que dialoga muito com o texto do Rafa. Presenças desgovernadas. "Você disse algo que não entendi, mas lembro".
Pessoas falam continuamente, mas não se ouvem. Talvez as interjeições tenham um grande papel no texto. "Olha, (antes do ônibus partir...)"; "Por favor, não me interrompa!" Os imperativos também. Os atores esboçam uma ligação que não se completa. "Alô?" "Alô?" "Você está ai?" “Você está me ouvindo?” A fala abafada, pela fita crepe ou pelo jornal, também me interessa. Talvez o vídeo possa funcionar como mais um elemento que tenta estabelecer "contato". Que reforça a tentativa de comunicação. Já a campainha interrompe. Gosto disso.
Penso muito em uma projeção reprimida, desenquadrada. Recortes de uma história de não-ditos, de paixões recalcadas, de relações falidas. Pessoas que vivem “fora de quadro”. Na grande cidade. Sob a luz neon. OPEN 24H
As relações parecem transitar em corda-bamba, tão frágil é o equilíbrio. A qualquer momento algo vai romper, se perder, não ser compreendido. "Compreende?"
Fiquei pensando sobre tempo. Temporalidade. Estar. Não estar. Presente. Quanto tempo é muito tempo? "O relógio da cozinhou parou...Tá parado há dois anos." Como a gente mede o tempo? “Um cigarro e vamos” “Só mais um café”
Fred diz: "Eu to sem..." E lista uma séria de faltas, fala sobre o que não se tem. Não é sobre insatisfação, é outra coisa. Ainda não descobri.
Nati começa um riso em semi-descontrole. Fora de hora. Remete a desespero, a deboche. De qualquer forma, o riso distancia do momento anterior: a conversa na mesa com o Gunnar. Acabou. Perdeu. Ela já não está mais ali.
Quando a Marília subiu fazendo a árvore, Aline começou a cantar "quero ficar no seu corpo feito tatuagem". Desejo de permanência. De dar conta do tempo, se apropriar dele. Que talvez também implique em se apropriar do outro. Do espaço do outro. Do que existe entre um corpo e outro. Esse meio.
quinta-feira, 15 de março de 2012
A Clarice que não sai da minha boca...
Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que,
somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as
incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido
carinho, pensei que amar é fácil.
É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade
ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque
sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento
chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu
quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu
mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque
eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com
brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva..."
Se apropriando da Clarice
A forma do amor representa o que há de melhor no ser humano. Tenho um dentro de mim que raramente se exprime. Mas quando vejo outro amor então o meu se expressa. sua forma fala.
É liberdade tão indomável que se torna inútil aprisioná-lo para que sirva ao homem: deixa-se domesticar mas com um simples movimento de cabeça mostra que sua íntima natureza é sempre bravia e límpida e livre.
Todo amor é selvagem e arisco quando mãos inseguras o tocam.
Tentando pôr em frases a minha mais oculta e sutil sensação- e desobedecendo à minha necessidade exigente de veracidade- eu diria: se pudesse ter escolhido queria ter nascido amor. Mas- quem sabe- talvez o amor ele mesmo não sinta o grande símbolo da vida livre que nós sentimos nele.
Devo então concluir que o amor seria sobretudo para ser sentido por mim? Ele representa a animalidade bela e solta do ser humano? O melhor do amor o ente humano já tem? Então abdico de ser um amor e com glória passo para a minha humanidade. O amor me indica o que sou.